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domingo, 15 de janeiro de 2023

Semanal: 08 a 14 de janeiro de 2023

Imagem da semana

Olá a todos!

Dando continuidade à série "leituras da semana", esta postagem conterá algumas das coisas que vi e li entre 8 e 14 de janeiro deste ano que achei interessante compartilhar e porventura comentar.

Como todos já estão sabendo, este período foi dominado pela cobertura do infeliz evento que ocorreu em Brasília no último domingo quando um grupo de bolsonaristas (talvez "antipetistas" seria mais preciso) invadiu e depredou as sedes dos 3 poderes na capital do Brasil. Já outro destaque da política foi o começo da abertura dos sigilos do governo Bolsonaro. 

Segue, então, materiais sobre esses e outros eventos.

Assuntos diversos

Conheci por um vídeo aleatório do Instagram o site TinyWow que contém uma série de ferramentas para edição de PDF, imagens e afins que normalmente são usadas por meio de softwares. Fica minha recomendação para tê-lo salvo na barra de favoritos de seus navegadores.




Muito já foi dito nas redes sociais e veículos da mídia sobre todo o mal envolvido nos atos em Brasília no último dia 8 e eu concordo com boa parte do que foi dito. Aqui enfatizarei a notória estupidez por trás dessas atitudes. No caso, quando falo em "estupidez", faço uso do sentido técnico empregado pelo pesquisador italiano Carlos M. Cipolla em seu famoso artigo "As Leis Básicas da Estupidez Humana". Neste trabalho, um ato seria categorizado como "estúpido" na medida que ele for prejudicial não só a outras pessoas, mas também aos próprios executores. Ao meu ver, as depredações em Brasília são uma infeliz demonstração desse tipo de ação: quebrar tudo aquilo não foi apenas prejudicial aos "outros", i.e., à população brasileira que teve as sedes de seu Estado estragadas com possíveis custos financeiros a serem financiados com impostos, mas ruim para os próprios manifestantes que naturalmente não conseguiriam e não conseguiram um avanço de suas pautas antipetistas, antes pelo contrário: ainda estão a serem presos e socialmente menosprezados. É lamentável como algumas pessoas "se animam" para agir de alguma forma sem realmente considerar antes o que provavelmente irão conseguir com aquilo e se será mesmo benéfico. Em alguns casos, parece que o que ocorre é uma convicção precipitada de que agir daquela forma é "o certo" e, sem maiores reflexões, vão para a ação ignorando que as consequências são comumente um forte indicativo sobre o quão correta uma ação é (se olharmos para os ensinos morais de forma geral, como os mandamentos de amor da fé cristã, veremos que eles geralmente trazem consigo benefícios). Assim, mais do que atos imorais ou antidemocráticos, o que se viu no 8 de janeiro foi uma manifestação em escala da estupidez que o ser humano é capaz de mostrar.

Para mais um material interessante sobre esse assunto, sugiro o vídeo "Bonhoeffer‘s Theory of Stupidity".


Uma análise que mostra evidências de "whisful thinking" em meio aos politizados mais radicais: sem quaisquer reais evidências, acredita-se naquilo que se deseja acreditar, naquilo que convém, ao invés de naquilo que se deveria.
 


Os dois materiais acima são úteis para a refutação da tese "negacionista" de muitos bolsonaristas em dizer que os atos de 8 de janeiro foram perpetrados por "infiltrados da esquerda". Mais do que isso, também são úteis em desmistificar a lenda direitista de que ser seguidor do Bolsonaro (ou, mais genericamente, de direita) significa ser uma pessoa correta, que segue as leis, um "cidadão do bem".


Terem agido inspirados por crenças difundidas pelo ex-presidente Bolsonaro pode ser problemático para o mesmo sob a ótica de responsabilidade moral: no momento que uma pessoa difunde uma crença e esta acaba servindo de fundamentação para atos imorais, pode-se defender que haverá nexo de culpabilidade se os atos foram feitos em consonância com a crença difundida. Por exemplo: suponhamos que há duas pessoas, uma que prega que um determinado grupo é horrível e não deveria existir e outra que afirma exatamente o contrário. Duas outras pessoas ouvem cada qual o discurso de uma das duas primeiras e, acreditando no seu discurso, procedem em exterminar aquele grupo de forma genocida. Neste caso, podemos concluir que a pessoa que defendeu a inexistência daquele grupo possui responsabilidade pela prática genocida do seu seguidor enquanto que aquele que defendeu o seu bem não é culpado pela ação desconexa do seu mau seguidor. É dessa forma, por exemplo, que direitistas culpam a ideologia de esquerda e o marxismo em específico pelas atrocidades cometidas pelos regimes alinhados a essas ideias no século passado e no atual. Naturalmente há de se concluir que, se tal vinculação é válida para culpar Marx, também poderá ser válida para responsabilizar Bolsonaro.


Se houve falha da parte do governo federal na proteção aos 3 poderes, naturalmente é de se esperar punição. 


Bela obra com algumas observações pertinentes às ações dos cristãos brasileiros em sua relação com a direita e o bolsonarismo.


Durante a campanha de Bolsonaro para a reeleição em 2022, alguns direitistas tentaram creditar ao seu governo a diminuição no número de mortes no Brasil ignorando que já havia uma tendência de queda desde o governo Temer. Este pareceu ser mais um caso da falácia de "correlação não implica em causalidade" onde se observa que há duas variáveis correlacionadas e logo se conclui que uma é causa da outra. A notícia da reportagem acima antevê algo que poderá ocorrer na campanha presidencial em 2026 caso a inflação durante o governo Lula for menor que a de Bolsonaro: alguns irão creditá-la como mérito do governo petista ignorando que já estava em tendência de queda antes do seu início. 






As notícias anteriores sugerem que Bolsonaro fez uso do cartão corporativo para financiar eventos do seu interessante, que apoiassem politicamente o seu governo. Se isso procede, então temos o dinheiro público sendo usado não para o benefício da população, mas para o dos políticos em exercício. Se tal ato não é ilegal, no mínimo é moralmente questionável.


Neste vídeo, Johan Norberg comenta sobre prós e contras da democracia, este sistema político que está sob a mira dos debates, defesas e ataques no Brasil nestes últimos meses.



Não é novidade que o PT é deveras amigável com ditaduras de esquerda e tanto o seu passado como a notícia anterior estão aí para confirmar. A questão é quais conclusões devemos tirar desse tipo de relação. Uma possível é que o discurso pró-democracia desse partido não passa de uma fachada exposta diante de uma realidade onde o mesmo é incapaz de criar a sua própria ditadura por não contar com o apoio da maior parte da população e menos ainda das Forças Armadas, que são enviesadas à direita em nosso país. Diante disso, o discurso pró-democracia do Partido dos Trabalhadores presente ao lado de suas relações amigáveis e elogios a ditaduras de esquerda pode ser visto como semelhante ao sujeito que prega a fidelidade conjugal e virgindade pré-nupcial enquanto todo fim de semana é encontrado num prostíbulo elogiando seu dono pela qualidade do ambiente e serviços ali prestados.


Embora incompleto, os exemplos mencionados pelo artigo anterior são úteis para mostrar como uma economia de mercado permite que grupos marginalizados possam ascender economicamente mesmo sem contar com o apoio da maioria da população e dos governantes.


Uma das clássicas bandeiras da direita desde a metade do século passado é a guerra contra os entorpecentes. Tal luta é fundamentada tanto sobre o fato que tais produtos são prejudiciais à saúde quanto sobre o desejo de ver uma sociedade mais saudável, livre do consumo das drogas. O problema é que, embora as intenções dos conservadores sejam louváveis, seu amparo à guerra às drogas é fundamentado sobre uma premissa cientificamente falsa: a de que tal guerra seria efetiva no combate ao consumo dessas substâncias. Esse pressuposto está errado na medida que a curva de demanda dos entorpecentes é inelástica, ou seja, variações de acessibilidade (ter que ir a uma "boca" para comprá-la ao invés de uma loja próxima e segura) e de preço (que aumenta pelos riscos de comercializar tais produtos num contexto de proibição) pouco afetam a quantidade da demanda. Tal fato científico pode inclusive ser confirmado popularmente na medida que nunca se ouve que alguém queria consumir drogas e não o fez "porque o seu comércio é proibido"; quem quer consumir o faz independente da presença de proibição ou não. O resultado é que os bem-intencionados conservadores (dos quais eu já fui um e usando os mesmos argumentos) acabam por defender uma guerra que gera pouquíssimos benefícios junto a grandes prejuízos, tudo isso enquanto ações mais efetivas na obtenção dos resultados visados acabam sendo ignoradas. Concluo notando que tal problema poderia ser evitado se tão somente houvesse ensino de economia nas escolas.


Tenham uma boa semana e até a próxima,

Momergil


(Se gostou, não se esqueça de compartilhar!)

sábado, 16 de julho de 2022

Sobre cristãos fãs de Jair Bolsonaro


O presente ensaio "popular" foi escrito após reflexão sobre o fenômeno de muitos cristãos praticantes se declararem "Bolsominions": fãs e seguidores do presidente Jair Bolsonaro. Por se tratar de um assunto mais brasileiro, não farei uma versão em inglês. Para ouvi-lo, há uma versão em áudio lida por mim que pode ser acessada clicando aqui.

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No segundo turno das eleições de 2018, os eleitores brasileiros tiveram que escolher quem os governaria nacionalmente pelos próximos quatro anos: se seria Fernando Haddad pelo Partido dos Trabalhadores ou Jair Bolsonaro pelo então Partido Social Liberal.

Naquela ocasião, ficou bem visível que muitos dos que votaram no atual presidente não o fizeram porque o aprovavam, mas porque não queriam o PT de volta ao poder. E isso não foi de graça: afinal, essa alternativa já havia governado ao longo de 13 anos e veio a protagonizar não apenas uma sequência de escândalos de corrupção (com destaque ao Petrolão, provavelmente o maior de nossa história), como também uma má administração tal que nos levou à pior década da nossa economia em 120 anos já antes da pandemia. 

Assim, parece que votar em Bolsonaro naquele ano estava longe de ser uma decisão impensável, injustificável, irracional. Porém, o que nunca consegui aceitar como plausível é a existência de uma grande quantidade de fãs que o presidente conquistou para si. Pior ainda é como que tantos permanecem seus fãs até agora, mais de 3 anos depois das eleições, com tudo o que este fez de lá pra cá. Porém nem isso supera o que vejo como ainda mais sem cabimento: que muitos destes são cristãos praticantes, membros ativos em igrejas e leitores da Bíblia. 

Aqui cabe a nota de que estou "mirando" nos cristãos desse "tipo" porque se estes fossem assim só de fé, então seria mais aceitável já que tais mal conhecem a religião que professam e não parecem querer viver de acordo com ela. Porém esse não é o caso de uma grande parte dos assim chamados "Bolsominions", um apelido dado pela crítica com uma clara referência aos personagens amarelos da animação "Meu Malvado Favorito" caracterizados por idolatrarem e cegamente seguirem um vilão, comportamento associado a muitos fãs do presidente.

Bom, esse fato (o de que Bolsonaro possui muitos fãs sendo muitos destes cristãos praticantes) clama por respostas: o que fundamenta o posicionamento destes crentes? Será que há uma maneira plausível desse posicionamento ser justificado? Será que cristãos deveriam ser "Bolsominions" ou há algo de errado quanto a isso?

Na busca pelas respostas a essas questões, talvez um bom começo seria conhecer os argumentos dados pelos próprios fãs em defesa de seu comportamento. Aqui parece haver uma razão básica compartilhada pela maioria: a de que faz sentido ser fã de Jair Bolsonaro por conta dele possuir toda uma lista de supostas boas características tais como: sua posição contra o comunismo e o PT, ser um defensor da família e contra a descriminalização do aborto, sua honestidade, incorruptibilidade e afins.

Porém já aqui nós temos um problema: mesmo que todas essas características fossem verdadeiras, isso por si só não justifica alguém ser fã do presidente. Afinal, enquanto é plausível que a aprovação e admiração a um indivíduo envolva as suas qualidades e atos positivos, é evidente que também deve envolver o seu lado ruim!

Tomemos Adolf Hitler, um homem lamentável ao qual a maior parte da humanidade tem a decência de não ser seu fã. Se nós fôssemos ignorar tudo de ruim que diz respeito a ele, então o que sobraria seria uma lista de coisas neutras ou positivas. Ora, agora haveríamos nós de considerar virarmos fãs do cabeça do Holocausto porque ele foi bom amigo de alguns, avançou na criação das Autobahns alemãs e sabia pintar aquarelas?! Mas é claro que não! Fazer isso seria implausível justamente porque não faz sentido decidir se posicionar sobre uma pessoa olhando só para as coisas positivas que ela tem ou fez; é o conjunto INTEIRO da obra que importa. E é no momento que analisamos o todo de Hitler que chegamos à óbvia conclusão de que ele foi um ser lamentável o qual jamais deveríamos admirar.

Pois o mesmo se aplica a Bolsonaro: não faz sentido só olhar para as suas ditas qualidades e querer justificar admiração a partir disso; é necessário que todo o conjunto seja analisado, logo incluindo o seu lado negativo. E quanto a este, é público que está longe de ser pequeno ou trivial! 

Porém não vou aqui fazer toda uma lista de seus pontos ruins já antevendo uma possível resposta: a de que "nenhum humano é perfeito". Por essa ótica, apontar que Bolsonaro tem defeitos em nada demonstra que ele não é digno de ter fãs. Talvez diriam: "Se o sujeito não pode ter defeito para poder ser admirado, então só o perfeito Jesus poderá ser admirado!". Na medida que for o caso que humanos falhos podem ter fãs, isso nos leva à pergunta: qual a medida de defeitos que define que tipo de problemas uma pessoa pode ter sem que isso a torne indigna de admiração? Quando que seus erros já contam como sendo demais?

No meio secular, talvez isso não tenha uma resposta muito clara, porém o mesmo é diferente para quem é cristão. Isso ocorre porque a Bíblia tanto reconhece que todos são falhos e pecam quanto expõe casos em que o sujeito "cruzou a linha", "sentando-lhe o laço" da reprovação.

Tomemos os fariseus. Jesus convivia "de boas" com "publicanos e pecadores", porém com aqueles era indignação atrás de indignação. E o que estes fariseus faziam de tão errado para estressar aquele "manso e humilde de coração"? De tudo, o que mais se destacou foi a sua hipocrisia: eles se apresentavam para o público como santos e fiéis seguidores de Moisés, interessados em cumprir seus estatutos com tanta fidelidade até nos pormenores da Lei ("coavam os mosquitos"), porém, por dentro, eram podres não guardando os principais ensinamentos de Deus, "o juízo, a misericórdia e a fé". Afinal, quando quiseram matar Jesus, descumpriram os preceitos legais e deram um jeito de fazer o que bem queriam passando por cima daquilo que diziam fielmente seguir. A palavra "hipócrita" resume isso bem: alguém que não é apenas pontualmente incoerente, mas um falsário, que se apresenta como sendo de um jeito, porém na verdade é de outro. E esse comportamento nos remete a Romanos 2 onde Paulo condena aqueles que praticavam as próprias coisas que publicamente condenavam concluindo que "por causa destes, o nome de Jesus é maldito entre os gentios". Ou seja, Paulo reprovou fortemente aqueles que diziam que fazer "isso e aquilo" era errado e não deveria ser feito para, logo após, estarem eles próprios fazendo tudo o que condenaram.

Agora consideremos o que diz a primeira parte de 1º Coríntios 13: que se alguém falhar no amor, ele será basicamente um nada, um lixo, não importando quantas outras qualidades ele venha possuir. O amor é tão importante no Cristianismo que Jesus chegou a dizer que seus discípulos seriam reconhecidos por ele. Bom, é claro que todos nós falhamos no amor (provavelmente só Jesus amou perfeitamente), porém há uma diferença a ser notada nos excessos: há diferença entre falhar de vez em quando e falhar o tempo todo; de falhar no detalhe versus grosseiramente; de ser alguém que ama como regra e erra na exceção de alguém que é tão ruim em amar que não é possível associar essa pessoa ao amor; de não amar no pensamento, mantendo sua postura, a extravasar seu coração escuro em suas palavras e ações; de amar a maioria e falhar na minoria versus não amar até metade de um país inteiro! Assim, pequenas e pontuais falhas no amor são aceitáveis na caminhada moral árdua de um cristão, porém falhar miseravelmente neste item não é só mais um pecado; é simplesmente viver o avesso, o extremo oposto do que um seguidor de Cristo deveria viver!

Com tudo isso, pode-se dizer que se uma pessoa possui um perfil com as características recém mencionadas, então tal está longe de ser digna de admiração por um cristão. Um descrente com um perfil assim já seria deplorável, mas pelo menos seria compreensível já que o mesmo não está submetido aos ensinos de Jesus, ao acompanhamento pastoral e a comunhão fortificadora da comunidade fiel. Pois será ainda pior alguém que for assim enquanto professa ser um crente em Cristo! Aliás, pode-se dizer que tal fiel seria o exemplo de tudo o que um cristão deve almejar NÃO ser: alguém que afirma ter Jesus em sua vida, tê-lo por Salvador, porém vive de forma oposta a Ele, dando um péssimo testemunho e inevitavelmente envergonhando o Seu nome.

O problema é que Jair Bolsonaro se encaixa nisso perfeitamente bem! Já antes de sua campanha eleitoral e ainda mais claramente durante e após essa, o presidente tem sistemicamente sido o oposto do que se espera de um cristão (e de maneira pública, à descoberto, de tal forma que qualquer interessado em se informar e com acesso à Internet consegue saber). Consideremos primeiro a duplicidade entre apresentação e ação:
  1. Foi crítico de uma série de práticas do governo petista, porém, uma vez eleito, repetiu essas mesmas práticas. Por exemplo:
    1. criticou o mensalão, a compra de votos parlamentares para apoiar propostas, e depois fez o "Bolsolão" onde abusou de emendas parlamentares para comprar apoio do Congresso (visivelmente em parte para escapar de um plausível impeachment);
    2. repudiou o toma-lá-dá-cá com o "Centrão", a prática de negociar cargos em troca de favores, chegando a efetivamente anunciar o seu fim, e depois acabou fazendo a mesma coisa negociando cargos e apoios com o bloco;
    3. criticou programas populistas como o Bolsa Família, acusado de ser compra de apoio político pela barriga, mas uma vez eleito não só não o eliminou, como o ampliou e o renomeou (com esta última ação sugerindo uma tentativa de associar o programa a ele e não mais ao partido criador).
  2. Também contrariou características plausivelmente negativas do Estado brasileiro e depois pouco ou nada fez contra elas. Exemplos são:
    1. o excesso de foro privilegiado, ao qual nada fez para eliminar (condição que aparentemente beneficiou familiares envolvidos em acusações de corrupção);
    2. a corrupção pública, tendo apoiado a operação Lava Jato que escancarou os crimes cometidos por muitos políticos como o ex-presidente Lula, e que recebeu pouca atenção do seu governo: dissecou o pacote de leis sobre o assunto criado pelo ex-ministro da justiça Sérgio Moro e abandonou a Lava Jato que tanto defendera, operação esta que acabou envolvendo familiares e que efetivamente terminou em seu mandato;
  3. Contrariando seu histórico, defendeu uma agenda econômica mais liberal, e embora tenha cumprido em parte o prometido (como em fazendo privatizações, ainda que lentamente), não deixou de fazer bastante gestão antiliberal e populista da economia como no caso das várias mexidas na diretoria da Petrobrás.
  4. Ainda no tocante à corrupção, afirmou ser mentira que "acenava para corruptos e condenados" numa ocasião envolvendo uma possível associação ao condenado pelo Mensalão Valdemar C. Neto, porém quando chegou a hora de escolher um partido para continuar no poder via reeleição, acabou por "acenar para corruptos e condenados" filiando-se ao PL daquele político.
  5. Colocou-se como um "defensor da verdade" e crítico de inverdades em várias ocasiões, como quando citou o versículo "E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" em seu Twitter, porém teve todo um governo marcado por mentiras, desinformações e propagação de fake news.
Outros itens poderiam ser incluídos, mas quero evitar estender o ensaio demasiadamente. O ponto aqui é que Bolsonaro praticou muito do que havia anteriormente condenado, sistemicamente apresentando uma imagem num primeiro momento para agir diferente depois incluindo no tocante a propostas de governo (no linguajar político, praticou estelionato eleitoral). Só isso já deveria deixar cristãos avessos ao presidente tal qual Jesus foi aos fariseus ou Paulo aos judeus por ele criticados.

Porém, o pior talvez nem seja isso, mas o quanto que Bolsonaro em nada tem a ver com a marca cristã do amor. Desde antes das eleições e até agora, talvez a coisa que o presidente menos mostrou foi esse "carimbo de Jesus". Seja no tratamento dado à esquerda (que é quase metade do Brasil), na sua relação com a parte da imprensa que não lhe é favorável, seja no tratamento às vítimas da pandemia, o presidente se mostrou tão sem amor, antes cheio de ódio e desprezo, em especial para os que não lhe aprovam, que houve psicanalista que chegou a sugerir que ele possa ter psicopatia, o traço comportamental em que há falta de remorso ou empatia para o seu semelhante. Enquanto Cristo nos chamou a amar como Ele amou, i.e., a todos, sem condições e intensamente, o comportamento de Bolsonaro parece seguir a linha incompatível de "apreço aos apoiadores e o resto que se exploda".

Com tudo isso na mesa, não é à toa que a única defesa que seus seguidores conseguem dar para respaldar algum Cristianismo neste sujeito é apontando para trivialidades da fé como suas menções à Deus, meia dúzia de orações públicas, ter uma esposa evangélica e participar de caminhadas cristãs, porque no resto da sua vida o que talvez menos se encontre é Jesus!

Com tudo isso em mente, o que se pode concluir é que mesmo se Jair Bolsonaro for digno de vários dos elogios que seus fãs lhe atribuem, ainda assim ele possui um perfil que está longe de merecer admiração daqueles que professam Cristo em suas vidas. E se é assim já lhe concedendo elogios, imagina se nem estes forem realmente dignos! Se nem na melhor das hipóteses temos algo aprovável, então como que fica na pior delas?!

Concluo essa mensagem notando que em nenhum momento procurei defender que cristãos (e mesmo pessoas em geral) não devem votar no presidente nas atuais eleições ou mesmo em futuras. Ao meu ver, por pior pessoa e candidato que ele seja, ainda é possível que haja voto adequado nele bastando as alternativas serem piores (ainda que, ao meu ver, para alguém conseguir ser um candidato pior do que Jair é preciso esforço!). Minha conclusão aqui é que não há motivo sensato para um cristão ser fã deste indivíduo tendo em vista como ele tem sido. E se estiver correto nessa minha conclusão, então é plausível que o grande suporte da cristandade brasileira a Bolsonaro é mais um triste capítulo da história da Igreja.

(Para acessar o backup de todas as ligações externas, clique aqui)

terça-feira, 23 de agosto de 2016

[EN] Os ensinamentos de Jesus de Nazaré


http://brettburner.com/wp-content/uploads/2013/08/Jesus-artsy-Print-640x320.jpg

Olá a todos!

De acordo com as estatísticas, a fé cristã é a religião com o maior número de adeptos no mundo ultrapassando a marca de dois bilhões de pessoas. Tais pesquisas, todavia, identificam "cristã" qualquer pessoa que afirme ser um cristão independente do seu real compromisso com os ensinos de Cristo. De fato muitos são os que se dizem cristãos enquanto possuem um conhecimento mínimo dos ensinos daquele que professam ser seu Salvador.

Hoje compartilho com vocês uma bela montagem de muitos dos ensinos de Jesus de Nazaré como recordados pelos quatro evangelhos canônicos. Trata-se de uma mensagem com excelentes ensinamentos não só teológicos, mas também de vida válidos até hoje até mesmo para aqueles que não são cristãos.

(link)

Que possamos refletir sobre tais ensinamentos e usá-los não só para termos uma vida melhor como também parar construirmos um mundo melhor!


Que o Senhor seja com vocês,

Momergil


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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Médico é suspenso por provável perseguição política




Olá a todos!

O que compartilho à seguir já é um pouco velho, mas nem por isso deixa de ainda ser relevante. Trata-se de uma denúncia realizada por um médico do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, e apresentada no blog de Augusto Nunes quanto à existência de perseguição política-ideológica na referida instituição.

Segundo o denunciante, ele foi punido em seu ambiente de trabalho sob infundadas acusações logo após tornar público a sua crítica ao sistema de saúde pública que seria defendido pelos seus acusadores.

Para ler a denúncia na íntegra, clique aqui.

Embora seja difícil atestar a veracidade deste relato bem como fazer alguma coisa realmente efetiva contra esse tipo de mal evento, sugiro que nós, cidadãos brasileiros e especialmente os cristãos, devemos ficar atentos às ocorrências de possíveis perseguições como esta sempre denunciando-as ao público quando as descobrimos e oferecendo suporte às vítimas quando possível. Embora possa ser pouco, já é alguma coisa que podemos fazer para tentar evitar que novos casos de perseguição ideológica com possíveis danos financeiro, à imagem ou à pessoa ocorram seja no ambiente acadêmico, profissional ou mesmo social.


Que o Senhor seja com vocês,

Momergil


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sábado, 7 de novembro de 2015

Qual é o número real de abortos clandestinos feitos no Brasil?




Olá a todos!

Provavelmente vocês já ouviram falar a respeito do grande número de abortos clandestinos que seriam realizados no Brasil todos os anos, um fruto da união entre uma legislação que proíbe abortos induzidos [na maior parte dos casos] e mulheres que optam por terminar a gravidez prematuramente mesmo assim. Afirmações como esta, bem como a de que "abortos ilegais estão entre as maiores causas de mortes de mulheres no Brasil", são bastante comuns entre os pró-legalização e já apareceram inclusive em novela [1]. A própria ONU, em 2012, reforçou a informação alegando que 200 mil mulheres morreriam ao ano no Brasil por conta de abortos inseguros. [2]

Embora recorrente, esta informação não passa de uma inverdade, mais um daqueles mitos que se propagam pela sociedade fruto da desinformação, da falta de vontade de conferir o que se ouve e talvez até mesmo da desonestidade intelectual [3]. Na verdade, não morrem sequer 100 mil mulheres em idade fértil por todas as causas registradas, dentre as quais abortos mal feitos compõe uma pequena fração: usando dados do DataSUS, morreram em 2010 66.323 mulheres em idade fértil dentre as quais 83 foram em função de abortos inseguros, o que corresponde a 0,124% dos casos [4]. 

Segue alguns link com mais informação sobre os números inflados de abortos clandestinos no Brasil:

  • Chutometria abortista - Escrito pelo Pró Vida Anápolis, o artigo analisa uma série de citações da "mídia pró-legalização" contabilizando o número de abortos clandestinos que ocorreriam na América Latina e o problema de desonestidade intelectual na prática recorrente de inflar-se tais números;
  • Os incríveis números do aborto no Brasil - Ponderações sobre os números reais de mortes por abortos clandestinos no Brasil segundo os dados oficiais do governo

O que podemos aprender com este caso é que devemos cuidar com os números apresentados por aqueles que possuem o compromisso de defenderem não a verdade em si, mas causas e bandeiras. Quando pessoas fazem parte de um grupo (especialmente militante), coisas como identificação com o grupo [5] [6] e a "luta pela causa" tendem a falar mais alto do que a verdade e não são raros os casos em que a mentalidade do "os fins justificam os meios" acaba por se fazer presente.

Portantanto, vigiemos - e quando a informação vier de grupos que lutam por causas, vigiemos ainda mais!


Que o Senhor seja com vocês,

Momergil


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Referências
[1] Aleteia "Globo cria confusão sobre aborto na novela Amor à vida" Disponível em: [http://pt.aleteia.org/2013/09/06/globo-cria-confusao-sobre-aborto-na-novela-amor-a-vida/] Acessado em: 07/11/2015
[2] Chade, J. "ONU critica legislação brasileira e cobra país por mortes em abortos de risco" Disponível em: [http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,onu-critica-legislacao-brasileira-e-cobra-pais-por-mortes-em-abortos-de-risco,837316] Acessado em: 07/11/2015, Estadão, 2012
[3] Pró-Vida Anápolis "Chutometria Abortista" Disponível em: [http://www.providaanapolis.org.br/index.php/todos-os-artigos/item/29-chutometria-abortista] Acessado em: 07/11/2015
[4] Brasil Sem Aborto "Os incríveis números do aborto no Brasil" Disponível em: [https://brasilsemaborto.wordpress.com/2012/02/19/os-incriveis-numeros-do-aborto-no-brasil/] Acessado em: 07/11/2015
[5] Wikipedia "Pensamento em grupo" Disponível em: [https://en.wikipedia.org/wiki/Groupthink] Acessado em: 07/11/2015
[6] Cecconello, W. W. "Efeito manada: estamos sujeitos a seguir o pensamento grupal?" Disponível em: [http://www.onacional.com.br/variedades/36915/efeito+manada+estamos+sujeitos+a+seguir+o+pensamento+grupal] Acessado em: 07/11/2015